As histórias das histórias

Pé de UVa, MãO de MeNiNO

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Ir ao Vale dos Vinhedos foi uma viagem de encontros. Conheci crianças como Eduardo e Daniele, que me conduziram pelos caminhos embaixo das parreiras, contando sobre a vida no campo, a mudança das estações e sobre como eles “cuidam dos nonno”, enquanto me mostravam os brinquedos que eles fazem e os segredos do cultivo da uva mais gostosa deste mundo.

Encontrei o escritor Remy Valduga e sua esposa, e também a Sra. Eneiva que, generosos, me contaram do legado dos imigrantes italianos que chegaram no vale a partir de 1875 e plantaram muito mais que uvas. Tão parecidos com meus avós, eles me fizeram descobrir quantos hábitos e valores da minha vida de hoje vieram da ascendência italiana da minha família. A experiência ficou ainda mais forte porque viajei com meus pais e minhas filhas. Três gerações se divertindo ao compartilhar descobertas misturadas de novo e antigo, como tudo aqui no vale.

Quando apresentei a Sra. Eneiva à minha mãe, elas se deram os braços e saíram caminhando elegantes, logo trocando receitas e gostos por bordado, exatamente como faziam minha avó e suas irmãs. Assim minha mãe e eu nos inspiramos para criar os desenhos que fiz para este livro, bordados por ela sobre papel, com a técnica e o capricho do bordar lindamente que ela aprendeu com a mãe dela, a minha nonna.

De vez em quando ele ajudava na cozinha, a fazer o almoço ou espantar a galinha que vinha ciscar ao lado do fogão. A avó ensinava as receitas, ele aprendia. A irmã já sabia, desde pequena. Lorena fazia o melhor brodo de todo o universo dos brodos. Ele fazia picolé de uva, mousse de uva e um nãoseiquê de uva, um doce mole de invenção própria.