As histórias das histórias

ESCRiTA SeCReTA de MONTANHA e GiZ

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O Matutu é um lugar querido demais. Há anos vou com minha família para a Pousada do Matutu, onde conheci a Escola Arcanjo Miguel e seus alunos, que me inspiraram esta e tantas outras histórias. Muitas descobertas aconteceram em mim e no meu trabalho ao observar a sua infância cuidada, integrada com a cultura, a natureza, com o fazer e com os adultos. Crianças com autonomia e liberdade para brincar, experimentar, criar e aproveitar.
Com elas aprendi a música da lanterna e outras canções, até em outras línguas, sempre acompanhadas de instrumentos tocados pela turma. Aprendi matemática com pinhão, a contar história se pegasse o candeeiro, a brincar de raposa e galinha, a celebrar a chegada da nova estação com uma festa. Aprendi a cuidar da escola, a ir e voltar junto andando na chuva, a comer tomate “de árvore” com arroz e feijão, a reconhecer o jeito dos animais e a curar corte de dedo com pomada feita em casa. Admirei o valor de tudo que é feito e de tudo que é preservado, do jeito que é.

– Uau! Que vontade de voar por este vale todo e espalhar estas histórias – a Ana foi falando de braços abertos enquanto corria trilha abaixo.
– Eu também! Joga uma pra mim pra eu botar guardadinha aqui, vai!
E Ana fez que jogou e Adélia fez que pegou. Guardou na memória, que para ela é um lugar que fica entre a cabeça e o coração.
Naquele final de tarde o céu ficou laranja antes de escurecer, para exibir o brilho de tantas estrelas. Era noite de São João.