As histórias das histórias

A TRAVESSiA de MARiNA MENiNA

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O Saco do Mamanguá é um pequeno vale inundado pelo mar. Este mar, protegido pela montanha, fica sem ondas, sereno, e assim eu converso com ele muito melhor. Quando fui lá pela primeira vez, ele me revelou histórias de praia e mangue.
Quando voltei, quem me contou histórias lindas foram as pessoas. Fui para a escola de baleeira com as crianças, mas no começo ninguém queria falar comigo. Muito cedo, muito sono. Depois, na companhia dos professores Teluíra e Julianno, conversei com alunos de todas as idades, que me contaram histórias de festa, mar e vida caiçara. Explicaram como é chegar ao 5º ano e ter que parar de estudar ou se mudar para longe, e me emocionei ao pensar nas decisões importantes que chegam a cada etapa dos nossos crescimentos. Contei minhas histórias para eles, e eles me ajudaram a inventar a Marina e sua travessia.
Agora, adivinha o que eu senti quando eles me contaram da ardentia?

Na volta da cidade, Ian dormiu no colo de Marina. Ela afastava do rostinho os cabelos que o vento bagunçava, e repetia para a mãe: – Eu não quero ficar longe.
Uma chuva muda alcançou o barco quando eles estavam quase chegando. Marina entrou em casa, molhada e agitada, empurrando pra fora as baratas-do-mato e a perereca que tinham entrado para se proteger.
Sem conseguir se acalmar, pegou a gamela de conchinhas e jogou para fora de casa, no chão do quintal.
– Não sou mais a Marina da mãe – gritou.